O quão rara é a capacidade de amar numa sociedade que se esconde do luto atrás da substituição imediata, fazendo das pessoas, objetos descartáveis (divididos em "úteis" e "inúteis")?
E o que dizer da dificuldade em enxergar o outro nas relações estabelecidas entre sujeitos que se conectam a partir de laços frágeis, volúveis e fugazes (amor líquido), e que pouco estão interessados em conhecer o que é diferente do si mesmo?
Se o desenvolvimento da capacidade de amar e de enxergar a alteridade pelo medo do sofrimento causado pelo envolvimento são privados, não há outra realidade possível além do desamparo.
O horror é, portanto, inevitável.
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